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terça-feira, 4 de outubro de 2011

Biologia: Vida e Mineração

Municípios mineradores e incidência de doenças
Informações sobre incidência de morbidade hospitalar, segundo a distribuição percentual das internações por grupos de causa, disponibilizadas para todos os municípios brasileiros pelo Banco de dados de Sistema Único de Saúde (DATASUS), para o ano de 2005, permitem verificar associação entre certos tipos de doenças consideradas “típicas de mineração” nos municípios mineradores do estudo (Tabelas 2 e 3).
- Tabela 1: Incidência de morbidade hospitalar, por causa de internação – média dos municípios mineradores e não-mineradores (em % do total de internações). (2005)



As seis categorias selecionadas foram as doenças mais citadas na literatura sobre o
tema e nas entrevistas de campo. As informações se referem às médias observadas para o
conjunto de municípios minerador e entorno não-minerador, bem como a diferença (em
termos percentuais) observada entre as médias. A avaliação das médias amostrais foi feita
com o teste “estatística t”, com o nível de significância de 5%. Os resultados não revelaram
diferenças significativas entre as médias do conjunto de municípios minerador e não-
minerador, mas revelaram diferenças inter-regionais, quanto às doenças infecto-contagiosas.
- Tabela 2: Incidência de morbidade hospitalar por doenças infecto-contagiosas – média dos municípios mineradores das regiões Norte e Nordeste e das demais regiões (em % do total de internações). (2005).

Doenças Causadas Pela Mineração

Em Minas Gerais, as doenças profissionais e os acidentes de trabalhos constituem um grande problema de saúde publica.A silicose é a mais antiga e grave doença ocupacional conhecida, ocorre em indivíduos que inalaram pó de sílica durante muitos anos. A sílica é o principal constituinte da areia, e, por essa razão, a exposição a essa substância é comum entre os trabalhadores de mineração, os cortadores de arenito e de granito, os operários de fundições e os ceramistas. Normalmente, os sintomas manifestam-se somente após vinte a trinta anos de exposição ao pó.

No entanto, em ocupações que envolvem a utilização de jatos de areia, a escavação de túneis, que produzem em quantidades elevadas de pó de sílica, os sintomas podem ocorrer em menos de dez anos.

Existem históricos registrados, a cerca de dois mil anos, do uso de máscaras por trabalhadores que buscavam proteção contra as poeiras de sílicas consideradas perigosas, foi observado que a mistura da poeira com o ar, ocasionava um comprometimento pulmonar.Assim, umidificação e ventilação no interior das minas diminuem a quantidade de poeira no ar, reconhecida como causas de doenças pulmonares, sendo comum em certas minas a tosse e dispnéia.

Para (BRASIL, 1978) “As operações de perfuração ou corte devem ser realizados por processos umidificados para evitar a dispersão da poeira no ambiente de trabalho”. Conforme a segurança e saúde ocupacional na mineração. (NR 22.17.3.1).

Arsenio Contamina Água de Cidades Históricas de Minas Gerais

Pesquisa realizada pelo engenheiro geólogo Ricardo Perobelli Borba revelou sinais de contaminação por arsênio no solo e na água utilizada por moradores do Quadrilátero Ferrífero, que abrange as cidades de Ouro Preto, Santa Bárbara, Nova Lima e outras cidades históricas, em Minas Gerais. O arsênio está entre os metais mais nocivos à saúde humana, como o mercúrio, o chumbo e o cádmio. Em concentrações elevadas (acima de 10 microgramas por litro de água potável, segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS)), pode causar vários tipos de cânceres, como o de pele, pâncreas e pulmão, além de abalos ao sistema nervoso, malformação neurológica e abortos.

O arsênio pode ser liberado na natureza por meio de causas naturais, como o contato da água de rios e nascentes com rochas que apresentam elevada concentração do metal. No caso do Quadrilátero Ferrífero, porém, a contaminação, segundo o estudo, estaria relacionada à intensa mineração de ouro, explorada nos últimos 300 anos. "A região já apresenta naturalmente uma alta concentração de arsênio, mas a mineração secular contribuiu para que a poluição ambiental ficasse hoje muito grave", diz o professor Bernardino Ribeiro de Figueiredo, que orientou a tese de doutorado do pesquisador, intitulada "Arsênio em ambiente superficial: processos geoquímicos naturais e antropogênicos em uma área de mineração aurífera", defendida no Instituto de Geociências (IG) da Unicamp.

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